LUNIS · JOURNAL

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DE MÃE PARA MÃE  Publicado a 14 de outubro de 2026

Tentei 4 coisas para ele largar a minha orelha. Só uma resultou.

Por Joana Ferreira, mãe do Gonçalo

Deixa-me poupar-te as noites que eu perdi.

Os dedos dele na minha orelha. A esfregar, a dobrar, a apertar. Todas as noites. Ao início era querido. Depois passou a ser sempre. Eu deitada ao lado dele, imóvel, com a mão dele na minha cara. Se a tirava, ele acordava e procurava-a outra vez.

Havia manhãs em que eu acordava com a orelha vermelha e dorida, e penteava o cabelo para a tapar antes de sair de casa.

Quatro tentativas. Uma que resultou. Vou contar-te a diferença.

1. Tapar a orelha

Foi a primeira coisa que fiz. Cabelo solto por cima. Depois uma fita. Uma noite, até um gorro, em pleno setembro.

Não durou cinco minutos. Ele afastava o cabelo de olhos fechados, puxava a fita, encontrava a orelha como se tivesse um mapa.

E quando não encontrava, chorava até eu a destapar.

Semanas de cabelo por cima. Não mudou nada.

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2. Dar-lhe a minha mão em vez da orelha

Pensei: se ele precisa de mexer em alguma coisa, que seja na minha mão. A orelha descansa.

Ele aceitou. Durante dez minutos. Depois a mãozinha subia pelo meu braço, pelo ombro, e voltava à orelha.

E agora eu estava presa pelas duas. A mão dele na minha mão, e a minha orelha à espera.

Troquei uma coisa presa por duas.

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3. O peluche mais fofo

Comprei um peluche macio, com orelhas grandes. Pensei que era óbvio.

Ele não queria abraçar. Queria esfregar e dobrar. O peluche era grande demais para isso, e ele afastou-o. Quando o aceitava, às 3 da manhã estava no chão, e a mão dele voltava à minha cara.

Lindo na prateleira. Inútil às 3 da manhã.

Mais uma tentativa na prateleira.

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4. Afastar-lhe a mão e aguentar o choro

«Tens de ser firme», disseram-me. Afastei-lhe a mão da minha orelha. Ele chorou. Expliquei-lhe. Voltou à orelha. Afastei outra vez.

Ao fim de uma hora, estávamos os dois a chorar. Ele de cansaço. Eu de culpa.

Nessa noite percebi: eu estava a tentar tirar-lhe uma coisa. Devia estar a dar-lhe outra.

A pior noite de todas. Não houve segunda.

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5. A que eu nunca tinha visto

Repara nas mãos deles: esfregam, dobram, apertam. Sempre o mesmo gesto. O Gonçalo não precisava da minha orelha. Precisava de algo macio para mexer enquanto adormecia. A minha só ganhou porque estava sempre ali.

Encontrei a Lunis. É uma almofada com forma de animal, com orelhas macias para esfregar e dobrar, e uma cauda para puxar. E é a própria almofada, por isso fica debaixo da cabeça dele a noite toda. Não cai da cama.

Mostrei-lhe os cinco animais. Ele foi direto ao cão, o das orelhas compridas, e chamou-lhe Farrusco.

Encomendei ali mesmo, com a mão dele ainda na minha orelha.

Nunca ouviste falar? Vê a almofada que resultou

60 dias para experimentar · 5 animais à escolha

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6. Porque é que foi diferente

Na primeira noite, fizemos tudo igual. A mão dele veio à minha orelha. Eu, com calma, levei-a até à orelha do Farrusco. Ele esfregou-a entre os dedos. Parou. E disse, muito sério: «É mais macia que a tua, mãe.»

Adormeceu com a orelha do Farrusco dobrada entre os dedos. Na manhã seguinte, a minha orelha estava normal.

Às 3 da manhã, quando ele se mexe, a mão procura e encontra a orelha do Farrusco. Exatamente onde estava.

Não lhe tirei a mania. Só mudou de sítio. Agora é a orelha do Farrusco que ele procura. Não a minha.

Ele não precisa da tua orelha. Precisa de umas dele

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7. As cinco, lado a lado

O mesmo menino. As mesmas noites. A mesma orelha vermelha de manhã. Foi assim que cada uma correu:

Tapar a orelha: encontrava-a de olhos fechados.

Dar-lhe a minha mão: fiquei presa pelas duas.

O peluche: grande demais para dobrar. No chão às 3 da manhã.

Afastar a mão: uma hora de choro. Dele e meu.

A Lunis: orelhas só dele, debaixo da cabeça a noite toda. A única que ficou.

Quatro tentativas que me custaram meses. Uma que me devolveu a orelha numa semana.

Pronta para deixar de tentar? Vê a que ficou

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8. A única que ainda está na cama dele

Já passaram meses. O gorro está na gaveta. O cabelo voltou para trás da orelha.

O Farrusco continua lá, debaixo da cabeça dele, todas as noites. Já foi de férias connosco, já dormiu em casa da avó, a capa já foi à máquina vezes sem conta.

Numa reunião, a mesma colega que me tinha perguntado pela orelha disse-me: «Estás com outra cara.» Estava. Andava a dormir.

A mania dele continua. A minha orelha está de volta.

Quatro tentativas falhadas. Vê a que ficou

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9. «Mas será que resulta com o meu?»

Era exatamente o que eu pensava. O Gonçalo é teimoso. Se não é a minha orelha, não é nada.

A resposta honesta: não é magia. Na segunda noite ele voltou à minha orelha, e eu quase desisti. Se em tua casa também for assim, é normal. É ele a aprender um sítio novo para as mãos. Leva-lhe a mão à orelha do animal, com calma, as vezes que forem precisas.

Duas coisas ajudam muito: deixa-o ser ele a escolher o animal, e põe a almofada na cama durante o dia, para à noite já ser um amigo e não um estranho.

E tens 60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele, com toda a calma.

Ainda com dúvidas? 60 dias para experimentar

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Se a tua orelha também é o vício dele, dá-lhe umas que sejam dele.

Hoje à noite, a mão dele pode adormecer noutro sítio. E tu podes acordar sem a orelha a doer.

60 DIAS PARA TESTAR EM CASA

Eu também achei que ele não ia largar a minha orelha. Mas o Gonçalo escolheu o Farrusco e eu tive 60 dias para ver com calma.

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Garantia: 60 dias   |   5 animais à escolha

60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele. Devolução simples dentro desse prazo.

Inspirado em relatos de mães