LUNIS · JOURNAL

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DE MÃE PARA MÃE  Publicado a 14 de outubro de 2026

Durante meses, só eu o conseguia adormecer. Tentei 4 coisas. Só uma deixou o pai deitá-lo.

Por Ana Ribeiro, mãe do Martim

Deixa-me poupar-te as noites que eu perdi.

O pai tentava. O Martim chorava e gritava por mim. A avó tentava. A mesma coisa. Acabava sempre eu, deitada ao lado dele, com as duas mãozinhas agarradas ao meu braço: «Não saias.»

Sentia-me presa. E depois sentia-me culpada por me sentir presa.

Quatro tentativas. Uma que resultou. Vou contar-te a diferença, e o que eu queria que alguém me tivesse dito antes.

1. Pôr o pai a deitá-lo

Foi a primeira ideia. «Hoje deitas tu.» O pai entrou no quarto, sentou-se na cama, abriu o livro.

O Martim chorou tanto que acabou a soluçar. Eu fiquei no corredor, com a mão na maçaneta, a contar até dez. Cheguei ao sete e entrei.

O pai saiu do quarto com cara de quem tinha falhado. Eu deitei-me ao lado do Martim e ele adormeceu em cinco minutos, agarrado ao meu braço.

Dois pais tristes. Um menino que só queria a mãe.

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2. Sair às escondidas

Esperava que ele adormecesse. Contava até cem. Tirava o braço devagarinho, um centímetro de cada vez, como quem desarma uma bomba.

Chegava à porta. E ouvia: «Mamã?»

Às vezes eram dez minutos. Às vezes era uma hora. Voltava para a cama dele e começava tudo outra vez.

Quanto mais eu fugia, mais ele me agarrava.

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3. O peluche mais fofo

Comprei uma baleia de peluche linda. Pensei: se ele tiver alguma coisa para segurar, larga o meu braço.

Abraçou-a durante a história. E às 3 da manhã estava no chão, entre a cama e a parede. A mão dele procurava no escuro, não encontrava nada, e ele chamava por mim.

Um peluche fica onde calha. O Martim precisava de uma coisa que ficasse.

Lindo de dia. Inútil às 3 da manhã.

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4. Ficar até ele adormecer, todas as noites

Desisti de lutar. Deitava-me ao lado dele às 20h30 e ficava.

A minha melhor amiga fez 40 anos. Jantar marcado há dois meses, vestido escolhido. Às 20h30 eu estava deitada ao lado do Martim. Mandei mensagem: «Vão começando, eu já vou.»

Não fui. Vi as fotografias no dia seguinte, ao pequeno-almoço. Não estava zangada com ele. Estava zangada comigo, por não saber o que fazer.

A pior noite de todas. E houve muitas iguais.

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5. A que eu nunca tinha visto

Foi aí que percebi uma coisa. Quando eu estava deitada ao lado dele, as mãos do Martim não paravam: no meu braço, no meu cabelo, na manga do pijama. Ele precisava de alguém ali. E de alguma coisa para segurar. Eu era as duas ao mesmo tempo. Por isso só eu servia.

Então encontrei a Lunis. Não é um boneco ao lado da cama. É a própria almofada, com forma de animal, e barbatanas, orelhas e cauda macias para segurar. A companhia está debaixo da cabeça dele, a noite toda. Não cai da cama.

Mostrei-lhe os cinco animais. Ele escolheu a baleia e chamou-lhe Azul.

Encomendei nessa noite, deitada ao lado dele, com o braço preso.

Nunca ouviste falar? Vê a almofada que resultou

60 dias para experimentar · 5 animais à escolha

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6. A noite em que foi o pai

Na primeira noite, não mudei nada. Deitei-me ao lado dele, como sempre. A mão veio ao meu braço. Com calma, levei-a até à barbatana da Azul. Largou. Voltou. Levei-a outra vez. À terceira, ficou.

Nessa noite saí do quarto dez minutos mais cedo. Ele não chamou. Na semana seguinte, saí antes de ele adormecer.

Duas semanas depois, numa sexta-feira, o pai disse: «Hoje deito-o eu.» Eu fiquei no sofá com o intercomunicador na mão e o coração aos saltos. Ouvi a história. Ouvi o silêncio. E depois a vozinha dele: «Boa noite, Azul.»

O ritual já não era «a mãe deita-me». Era «vamos ter com a Azul». E esse ritual, qualquer pessoa da casa pode fazer.

Ele não precisa de ti a noite toda. Precisa de companhia que fique

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7. As cinco, lado a lado

O mesmo menino. As mesmas noites. A mesma mãe presa ao lado da cama. Foi assim que cada uma correu:

O pai a deitá-lo: choro até soluçar. Acabava sempre eu.

Sair às escondidas: «Mamã?» à porta. Começava tudo outra vez.

O peluche: no chão às 3 da manhã.

Ficar até adormecer: o jantar dos 40 anos a que nunca fui.

A Lunis: companhia e algo para segurar, debaixo da cabeça dele a noite toda. A única que ficou.

Quatro tentativas que me custaram meses. Uma que deu ao pai a primeira noite dele.

Pronta para deixar de ser a única? Vê a que ficou

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8. Sexta-feira passada

Fui jantar com as minhas amigas. Pela primeira vez em mais de um ano, não olhei para o relógio.

Às 21h40 chegou uma mensagem do pai. Uma fotografia: o Martim a dormir, de lado, com a mão na barbatana da Azul. E uma frase: «Nem deu por eu sair.»

Guardei essa fotografia. Volto a ela muitas vezes. A Azul continua lá, debaixo da cabeça dele, todas as noites. Seja quem for que o deite.

Ele não precisa que seja eu a ficar. Precisa de alguém que fique. E agora tem.

Quatro tentativas falhadas. Vê a que ficou

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9. «Mas será que resulta com o meu?»

Era exatamente o que eu pensava. O Martim é colado a mim. Se não for a mãe, não é ninguém.

A resposta honesta: não é magia. Nas primeiras noites continuei ao lado dele, e foi aos poucos que ele passou da minha mão para a barbatana. Se em tua casa também for assim, é normal. É ele a aprender um sítio novo para as mãos.

Duas coisas ajudam muito: deixa-o ser ele a escolher o animal, e põe a almofada na cama durante o dia, para à noite já ser uma amiga e não uma estranha.

E tens 60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele, com toda a calma.

Ainda com dúvidas? 60 dias para experimentar

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Se só tu o consegues adormecer, dá-lhe uma companhia que fica.

Hoje à noite, a mão dele pode encontrar outro sítio. E tu podes sair do quarto.

60 DIAS PARA TESTAR EM CASA

Eu também duvidei. Mas o Martim escolheu a Azul, sem choro nem treino de sono, e eu tive 60 dias para ver com calma.

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Garantia: 60 dias   |   5 animais à escolha

60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele. Devolução simples dentro desse prazo.

Inspirado em relatos de mães