DE MÃE PARA MÃE

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DE MÃE PARA MÃE  Publicado a 13 de outubro de 2026

Tentei 4 coisas para ele largar o meu cabelo. Só uma resultou.

Por Maria Santos, mãe do Duarte

Deixa-me poupar-te as noites que eu perdi.

Durante dois anos, o Duarte só adormecia com a mão enrolada no meu cabelo. E eu, deitada de lado, no escuro, sem me poder mexer.

Tentei prender o cabelo. Tentei o peluche mais fofo da loja. Tentei a naninha que a avó jurava que resultava. Tentei afastar-lhe a mão e aguentar o choro. E, por fim, uma coisa de que nunca tinha ouvido falar.

Quatro falhanços. Uma que resultou. Vou contar-te a diferença. E o que eu queria que alguém me tivesse dito antes de passar dois anos presa naquele quarto.

1. Prender o cabelo

Foi a primeira coisa que fiz. Rabo-de-cavalo, carrapito, depois uma trança bem apertada. Pensei: se o cabelo não estiver à mão, ele procura outra coisa.

Não procurou. Soltava-o de olhos fechados, em segundos, como se já soubesse de cor onde estava cada gancho. E quando não conseguia, chorava até eu o soltar.

Passei a ir para a cama dele já despenteada. A rir para não chorar.

Dois anos de rabos-de-cavalo. Não mudou nada.

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2. O peluche mais fofo da loja

Comprei o mais macio que encontrei. Ele adorou. Durante o dia.

À noite, adormecia abraçado a ele. E às 3 da manhã o peluche estava no chão, entre a cama e a parede. A mão dele procurava no escuro, não encontrava nada, e ouvia-se o «mamã?» do outro lado do corredor.

Comprei outro, e depois outro. Hoje estão os três numa prateleira, a olhar para a cama, como uma fila de tentativas falhadas.

Lindo na prateleira. Inútil às 3 da manhã.

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3. A naninha que a avó jurava que resultava

«Com os teus primos resultou logo», disse a minha mãe. E deu-lhe uma naninha de pano, com uma etiqueta macia num canto.

Ele segurou-a. Cheirou-a. E pousou-a.

Demorei a perceber porquê. Ele não queria segurar uma coisa. Queria mexer. Torcer, enrolar, puxar. Um pano liso não tem nada para torcer. O meu cabelo tem.

Resultou com os primos. Não com ele.

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4. Afastar-lhe a mão e aguentar o choro

Foi o que me disseram para fazer. «Tens de ser firme. Ao fim de três noites ele habitua-se.»

Na primeira noite, afastei-lhe a mão do meu cabelo. Ele chorou quarenta minutos. Eu fiquei sentada à beira da cama, com as mãos no colo, a contar os minutos no relógio.

Quando finalmente adormeceu, saí do quarto, sentei-me no chão do corredor e chorei eu. Baixinho, para não o acordar.

Não chorei por ele. Chorei por mim. Já não me lembrava da última noite que tinha sido minha.

A pior noite de todas. Para os dois. Não houve segunda.

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5. A que eu nunca tinha visto

Foi uma mãe, num comentário de um grupo de pais, que falou nisto. Eu nem ia ver. Já não acreditava em nada.

Era uma almofada para crianças, a Lunis, com forma de animal. Mas não era um peluche ao lado da cama. Era a própria almofada, por baixo da cabeça. E tinha orelhas e uma cauda macia, feitas para torcer e enrolar.

Foi aí que fez clique. Não era para lhe tirar a mania. Era para lhe dar um sítio para ela. Um sítio que não caísse da cama às 3 da manhã.

Mostrei-lhe os cinco animais no telemóvel. Ele apontou logo para a raposa: «Esta, mãe.»

Encomendei ali mesmo, com a mão dele ainda no meu cabelo.

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6. Porque é que foi diferente

Na primeira noite, a mão dele veio ao meu cabelo, como sempre. Eu, devagar, levei-a até à cauda da raposa, a quem ele já tinha chamado Ruiva. Ele largou. Voltou. Levei-a outra vez. Demorou, mas adormeceu. Com a mão na cauda.

Na segunda noite, voltou direto ao meu cabelo e eu quase desisti. Respirei fundo e levei-lhe a mão à cauda. À quinta vez, ficou lá.

Na terceira, a mão dele já estava na cauda antes de eu acabar a história. Abriu um olho e disse: «Continua, mãe.»

Na quinta noite, dei-lhe um beijo e levantei-me antes de ele adormecer. Fiquei à porta, à espera do «mamã?». Não veio.

Não lhe tirei nada. Só lhe dei um sítio que era dele. E pela primeira vez em dois anos, saí do quarto.

Ele não precisa do teu cabelo. Precisa de um sítio dele

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7. As cinco, lado a lado

O mesmo menino. As mesmas noites. A mesma mãe cansada. Foi assim que cada uma correu:

Prender o cabelo: ele soltava-o de olhos fechados. Não mudou nada.

O peluche mais fofo: lindo durante o dia. No chão às 3 da manhã.

A naninha da avó: nada para torcer nem enrolar. Pousou-a e voltou ao meu cabelo.

Afastar a mão: quarenta minutos de choro. Dele e meu.

A Lunis: uma cauda para as mãos, debaixo da cabeça a noite toda. A única que ficou.

Quatro tentativas que me custaram dois anos. Uma que me devolveu as noites numa semana.

Pronta para deixar de tentar? Vê a que ficou

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8. A única que ainda está na cama dele

Já passaram meses. Os três peluches continuam na prateleira. A naninha está numa gaveta. O meu cabelo está solto, e é meu.

A Ruiva continua lá. Debaixo da cabeça dele, todas as noites. Já foi de férias connosco, já dormiu em casa da avó, já foi à máquina mais vezes do que consigo contar.

E houve uma coisa que eu não esperava. Na segunda semana, ao jantar, o Duarte olhou para mim e disse: «Mãe, hoje estás contente.»

Não ganhei só as noites. Ganhei de volta a mãe que eu queria ser para ele.

Quatro tentativas falhadas. Vê a que ficou

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9. «Mas será que resulta com o meu?»

Era exatamente o que eu pensava. O Duarte é teimoso. Se não é o meu cabelo, não é nada.

A resposta honesta: não é magia. Na segunda noite ele voltou ao meu cabelo, e eu quase desisti. Se em tua casa também for assim, é normal. É ele a aprender um sítio novo para as mãos. Leva-lhe a mão à cauda, com calma, as vezes que forem precisas.

Duas coisas ajudam muito: deixa-o ser ele a escolher o animal, e põe a almofada na cama durante o dia, para à noite já ser uma amiga e não uma estranha.

E tens 60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele, com toda a calma.

Ainda com dúvidas? 60 dias para experimentar

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Se leste até aqui, é porque também estás cansada. E não tens de estar.

Hoje à noite, a mão dele pode adormecer noutro sítio. E tu podes sair do quarto.

60 DIAS PARA TESTAR EM CASA

Eu também já tinha tentado tudo. Mas o Duarte escolheu o animal dele e eu tive 60 dias para ver com calma.

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Garantia: 60 dias   |   5 animais à escolha

60 dias para experimentar em casa, ao ritmo dele. Devolução simples dentro desse prazo.